O passado
Jornalismo é o estilo de vida que muitas pessoas escolhem para transformar o mundo num lugar melhor para se habitar, além de ser uma maneira de viver que dignifica e diferencia as nossas vidas.
Sua função iluminista “trazer a luz”, sofreu vários e duros golpes ao longo da História de autoridades oligárquicas e sedentas por poder. Seu nascimento se dá a partir das primeiras gazetas periódicas em fevereiro de 1597 e seu auge em agosto de 1792, quando o governo revolucionário francês suspendeu a liberdade de imprensa e alguns jornalistas foram guilhotinados.
Napoleão Bonaparte, após o golpe de Estado, subjugou a imprensa, pois ele tinha uma consciência clara da sua importância. Regularmente repreendia os censores. A menor crítica deixava-o furioso. Bonaparte calou os opositores e empenhou-se em utilizar o poder dos jornais a serviço de sua propaganda na França e no exterior.
No Brasil, não foi diferente. Getúlio Vargas por decreto presidencial em dezembro de 1939, criou o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), segmentado em setores de divulgação, radiodifusão, teatro, cinema, turismo e imprensa. Cabia-lhe coordenar, orientar e centralizar a propaganda interna e externa, fazer censura ao teatro, cinema e funções esportivas e recreativas, organizar manifestações cívicas, festas patrióticas, exposições, concertos, conferências, e dirigir o programa de radiodifusão oficial do governo. Vários estados possuíam órgãos filiados ao DIP, os chamados "Deips". Essa estrutura altamente centralizada permitia ao governo exercer o controle da informação, assegurando-lhe o domínio da vida cultural do país. Na imprensa, a uniformização das notícias era garantida pela Agência Nacional. O DIP as distribuía gratuitamente ou como matéria subvencionada, dificultando assim o trabalho das empresas particulares. Contando com uma equipe numerosa e altamente qualificada, a Agência Nacional praticamente monopolizava o noticiário.
Nos países democráticos como o nosso, o trabalho jornalístico é protegido por lei ou pela constituição. Isto inclui, muitas vezes, o direito de o jornalista preservar em segredo a identidade de suas fontes, mesmo quando interpelado judicialmente.
O artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos do Homem estabelece normas para a liberdade de expressão e de imprensa. No entanto, segundo a organização Repórteres sem Fronteiras (Reporters Sans Frontières), 42 jornalistas foram mortos no ano de 2003, principalmente na Ásia, enquanto outros 766 estavam presos.
A Lei de Imprensa, criada no regime militar, foi revogada e este ano o jornal brasileiro “O Estadao de São Paulo” está sob censura há mais de 30 dias em decorrência de reportagens publicadas pelo jornal sobre a Operação Boi Barrica. Segundo matéria publicada no site do jornal em 31 de julho: "O recurso judicial, que pôs o jornal sob censura, foi apresentado pelo empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney".
Não é de agora os desafios enfrentados na profissão como adaptar-se às novas mídias emergentes e ao mesmo tempo ser polivalente para continuar no mercado.
Alberto Tamer, renomado jornalista econômico, que tem mais que meio século de experiência e fez 50 anos no Estadão no ano passado, conta uma pouco dessa história.
Para ele foi difícil adaptar a sua carreira à internet: "Quando a internet foi trazida ao Estadão eu já tinha 63 anos. Passar da máquina Olivetti para este mundo era muito complicado, ainda mais porque não oferecia as facilidades que oferece hoje, não tinha programas como o Word, por exemplo."
Demorou para Tamer perder o costume da máquina de escrever e ter sua primeira experiência com tecnologia: "Resistimos à uma quebra do hábito, mas quando percebemos que o resultado era ótimo, que poupava tempo, percebemos que aquilo tudo era maravilhoso. A Reuters foi pioneira em passar as informações por telefone. Era uma máquina enorme onde havia alguns telefones. Levava duas horas pra escrever a matéria e cinco para enviá-la. O Estado tinha um serviço que tinha gente que lia a matéria pelo telefone." Tamer confessa que foi o último na redação a ceder à revolução da tecnologia, mas que compensou escapar da lentidão: "No começo eu não acertava, mas hoje com dois comandos a gente manda uma matéria para qualquer lugar do mundo".












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